Por que o mesmo alimento pode ter efeitos diferentes nas pessoas?

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Não tenho dedos para contar o número de vezes que meus pacientes olharam pra mim e perguntaram: “Mas eu posso comer banana? Não tem um índice glicêmico alto?”

Eu sempre explico que segundo os estudos que mediram o índice glicêmico a banana tem sim um alto índice glicêmico, mas que eles foram realizados em algumas populações específicas, e que existem vários fatores alimentares que interferem no índice glicêmico dos alimentos (lembram do post da semana passada?).

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Além disso, individualmente cada paciente tem uma resposta diferente a alguns alimentos. Sempre me lembro de uma paciente (@justanothertype1diabetes) que me dizia: “Não adianta. Não dá pra comer aipim. Se for pra comer uma mini raiz prefiro não comer”. Sempre foi claro que existem particularidades individuais que influenciam na resposta glicêmica dos alimentos.

Esse mês saiu um artigo muito legal falando dessas particularidades (clique aqui para ler a íntegra do artigo, em inglês). Ainda que tenha sido realizado em pacientes sem diabetes, podemos aplicar esse resultado de forma mais abrangente.

Isso porque o estudo mostra que as principais características que influenciam na resposta glicêmica de um alimento são basicamente as antropométricas (peso, massa magra e gordura corporal) e a flora intestinal (uma flora equilibrada auxilia numa curva glicêmica mais estável após as refeições, com menos picos). Ou seja: entender as características e particularidades de cada organismo é essencial para identificar os efeitos de cada alimento no corpo e, consequentemente, planejar a alimentação de forma adequada.

É por isso que se duas pessoas fizerem exatamente a mesma alimentação podem ter resultados diferentes em relação ao controle do índice glicêmico, porque aqui entram outras influências que não só a composição dos alimentos ingeridos.

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Então sim, é plausível esperar que uma pessoa ativa, com uma boa composição de massa magra no corpo, um peso saudável e uma alimentação saudável (que possibilita a proliferação de boas bactérias no intestino, tornando sua flora intestinal boa) tenha uma resposta diferente ao consumo de uma refeição idêntica de uma pessoa sedentária, com sobrepeso e uma alimentação rica em gorduras saturadas e açúcar (componentes alimentares que possibilitam a proliferação de bactérias ruins no nosso intestino).

Por isso enfatizo a importância de uma orientação personalizada pra quem quer melhorar seus níveis glicêmicos. Não basta pensar em calorias, carboidratos, índice glicêmico. Mas sim considerar além disso todas as variáveis individuais, e como cada um responde a cada alimento.

Fonte: Assessment of a Personalized Approach to Predicting Postprandial Glycemic Responses to Food Among Individuals Without Diabetes. JAMA Network Open. 2019;2(2):e188102 (acesse aqui).


* Toda orientação alimentar deve ser realizada por Nutricionista. Consulte um(a) Nutricionista e/ou Médica(o) para orientações sobre suplementação.

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